Na espera dos risos

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Sempre estive ciente que a vida não se faz sozinha, e uma trabalheira todos os dias, posso dizer que até agora a minha vida não me deu sossego, no entanto, quando sinto o dia passar, a tarde chegar, por pior que possa ter sido esses dias, mesmo assim, tenho a sensação de segurar na minha vida e dizer ” Aqui estamos, continuamos e que bom… é isso”.
Algumas travessias foram dolorosas, algumas atualmente são tão sofríveis que já pensei em desistir, mas logo vem o riso transformando o amargo em mel,  afinal avida pede paciência,  par ser borboleta é preciso ser lagarta.    
Então que o tempo passe e que nasçam  as asas, que venha o riso.
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Trocar as flores do vaso

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Segunda-feira, acordei cansada, percebi que precisava trocar as flores do vaso, como precisava levantar, ao pensar na escada sinto preguiça, no entanto ao ouvir a voz de um desconhecido que deve ter parado aleatoriamente em frente ao muro de minha casa quase aos berros ao falar no celular questões quais eu considero  íntimas e desconcertantes e que preferia não ter escultado, mas  a sacada do meu quarto é muito próxima da divisão entre meu mundo e das demais pessoas, assim, entre ficar um pouco mais no quarto, abraçada aos lençóis  e recomeçar o dia,  diante da situação posta, iniciei o meu preguiçoso dia.

 Reabrir as janelas, tal como reabrir os olhos para mais um dia, mesmo sabendo que com o passar do dia a noite chega, logo não será mais dia.   assim como tudo, como a própria vida, como todas as pessoas que estão ou que já estiveram em nossa volta. Fiquei a pensar ao decorrer da manhã que a melhor maneira de fazer a vida continuar é morremos antes do amor, como tantas pessoas que já se foram e continuam vibrando dentro de nós com as doces lembranças a morosas,    afinal possuímos algo maior que a vida, possuímos algo maior que a realidade que nos colocaram a viver, a intimidade com avida através do que sentimos.    

O vazio da falta do amor sentido, da falta do amor pelo outro ou com o outro, talvez faça com que o amor acabe, o que é terrível continuar a respirar sem  a provocação amorosa ao passar dos dias, por isso, a saudade busca encontrar o que se perdeu, a saudade de sentir, tantas saudades podem aparecer, aquela de fazer uma laço num abraço como se não mais  pudesse desse abraço sair.   

Uma saudade de ser.

E  lembrei que não troquei  as flores do vaso.


A composição de seu tempo

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Muitas vezes o vejo numa manhã de verão, como também um ar de tarde de outono, como se nele brotasse flores, com a beleza da fauna e da flora que desenham os seus entornos,  ao ver sua imagem em um cenário que confundo com ele,   o meu desejo foi de  estender as mãos, alcançar o seu peito que parece bater em um único  compasso, beija-lo a boca, colocar meus dedos entre os cachos de seus cabelos e sorrir.

Amo a imagem  da tarde ensolarada que parece cortina por trás de sua face. Amo secretamente a voz dele pausada pondo vida em cores, situações, nomes, espaços amorosos em um cenário que não existe apenas do lado de fora, mas dentro dele. secretamente  adoro toda imagem  que o envolve como amo secretamente o tempo que o compõe. Um tempo que o abraça, que guarda no peito,  tempo que a memória reside para o tornar bem maior e melhor no seu presente.

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Um novo dia

Estou cansada. Bastante cansada, de forma cruel, com dores agudas que invadem a alma. Surge um choro quase inexistente, o cansaço é maior que a dor ocasionada da fadiga por tanto sentir, por tanto querer. Mesmo assim, creio que a doçura da vida estar nessa penúria, entre o sofrimento dos dias e na resistência dessa continuidade.

Estamos ao anoitecer do primeiro domingo de novembro, ainda com ventos fortes, surgem pontos estrelares no céu, há um pedido que a dor se canse, que um anjo segure minha mão, cante e me faça dormir para que um outro dia nasça, desabroche uma nova flor, quem sabe um novo sorriso com uma possível felicidade, mesmo que seja pequena, mas com uma doçura que caiba como eu sou.


Entre sem bater

Uma alquimia perfeita seria poder misturar uma certa quantidade de coragem, outra de equilíbrio com uma boa quantidade de loucura, para assim, poder viver sentimentos e suas diversas reações. Não é simples, no entanto, não é tão complicado, deveríamos lembra que só temos esse tempo, assim poderíamos ser o que sentimos por dentro, afinal tudo muda, esvai pelas mãos, mas quando olhamos pra dentro sem medo, sabemos que   tudo o que queremos continua nos levando para frente.

Várias pessoas já se foram, perdemos muito ao passar do tempo, o passado se faz presente, existe muita dúvida, mas sabe aquela mão no peito… Aquelas lágrimas que jorraram durante horas… A procura e tudo que foi embora… Sabe a única coisa que fica é o que existe dentro do peito, assim, nasce uma chama, uma força, porquê o que existe dentro é maior   e não muda. Posso dizer “Entre sem bater”.