Faltam muitos caminhos…

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Sempre acreditei que nunca saberei algo decisivo sobre alguma pessoa, nunca saberei os rumos que a vida tomou ou o que ainda deverá acontecer. Por mais observadora que tenha me tornado, por mais reflexiva que   a vida tenha me deixado durante esse tempo, posso dizer nunca sei nada sobre as pessoas.

Acredito que saber algo ou até mesmo esperar alguma cosa seria uma forma terrível de julgamento. Assim, aprendi a amar, a gostar no escuro, aprendi a querer o que o outro ser não mostra.   Aprendi a esperar as palavras não ditas. E comigo é igual, também me desconheço, também me procuro e gosto do que não digo, do que não vivo, gosto do que sei que sinto, mesmo quando as outras pessoas não sabem.

Não me engano. As pessoas não sabem o que as outras vivem, os motivos, as percas , a não ser a pessoa que sente. O gostoso dessa vida é poder pegar tatu bola, aquele bichinho bem pretinho, tocar nele para que ele fique redondo . É se surpreender naqueles finais de tardes quentes, em plena rua, pessoas voltando para casa e de repente, cai uma chuva forte, as pessoas ficam a sorrir, correm, falam com as outras sem intenção maiores… Os caminhos da vida são aqueles que faltam, para mim faltam muitos, faltam tantos… Creio que faltam pra tanta gente ou talvez para todas pessoas.

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Um tempo para cuidar

0007Confesso senti um medo terrível ao chegar perto dele, senti um medo não por ele, não por algumas coisas que reapresentam tanto para algumas pessoas, senti medo de meu coração desatinar, senti medo de me esvair de tanto querer. . . Então Fugi e me perdi.

Hoje, eu desejei voltar no tempo e matar aquela insegurança. Olhar nos olhos e dizer “Não me perca porque eu já encontrei o que sempre quis, não me perca”. Sim, desejei voltar e provocar uma possibilidade para o beijar até não ter nada a dizer ou explicar. Queria   que pudesse ser você comigo e mais nada a pensar, que os meus olhos falassem que sempre fui louca, desse jeito e até um pouco mais por ele. Queria voltar para poder fazer o tempo se prolongar. Voltar para ter a impressão que nunca mais iria sair de perto.

Isso tudo é para dizer que o tempo passou, que talvez não mais o veja, não mais enxergue sua vida perto da minha com o mesmo sentido, que de repente possa haver um esquecimento. Isso tudo é pra dizer que agora o meu medo é outro, estou com medo de não dizer o quanto o amo. De me perder e não mais me achar, de tudo ficar tão diferente…

Será que a vida ainda me ofertar mais um ato nessa história? E mesmo que ao olhar eu não consiga o reconhecer, mesmo assim, algo haverá de desejar de o  enxergar ao cair da tarde com a testemunha do sol. Espero que ele cuide desse tempo  e me der sempre o seu sorriso, que ele  traga luz, que seja sempre o meu bem, que minha alma o reconheça, que meus olhos o tenha em meu coração.

07.


Could You Be Loved – Bob Marley

Bob

Could You Be Loved

Could you be loved and be loved?
Could you be loved and be loved?

Don’t let them fool ya,
Or even try to school ya! Oh, no!
We’ve got a mind of our own,
So go to hell if what you’re thinking is not right!
Love would never leave us alone,
A-yin the darkness there must come out to light.

Could you be loved and be loved?
Could you be loved, wo now! – and be loved?

(The road of life is rocky and you may stumble too,
So while you point your fingers
someone else is judging you)
Love your brotherman!
(Could you be – could you be – could you be loved?
Could you be – could you be loved?
Could you be – could you be – could you be loved?
Could you be – could you be loved?)

Don’t let them change ya, oh! –
Or even rearrange ya! Oh, no!
We’ve got a life to live.
They say: only – only –
only the fittest of the fittest shall survive –
Stay alive! Eh!

Could you be loved and be loved?
Could you be loved, wo now! – and be loved?

(You ain’t gonna miss your water until your well runs dry;
No matter how you treat him,
the man will never be satisfied.)
Say something!
(Could you be – could you be – could you be loved?
Could you be – could you be loved?)
Say something! Say something!
(Could you be – could you be – could you be loved?)
Say something! (Could you be – could you be loved?)
Say something! Say something! (Say something!)
Say something! Say something!
(Could you be loved?)
Say something! Say something! Reggae, reggae!
Say something! Rockers, rockers!
Say something! Reggae, reggae!
Say something! Rockers, rockers!
Say something! (Could you be loved?)
Say something! Uh!
Say something! Come on!
Say something! (Could you be – could you be –
could you be loved?)
Say something! (Could you be – could you be loved?)
Say something!
(Could you be – could you be – could you be loved?)
Say something! (Could you be – could you be loved?)

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Sobre isso e aquilo

0008É preciso esquecer as regras, viver o ar da liberdade que sopra aos meus ouvidos. Estou me referindo aos banhos de sol das crianças no quintal. Tomar banho de chuva aos pulos sem medo de um resfriado. Viver aquela vontade de comprar uma passagem e ir em busca do que se quer, apenas com aquela calça jeans, uma camiseta e um casaco, se possível uma caixa com chocolates, caso não se encontre o que procura.

Falo sobre pegar insetos na palma da mão, sentir cócegas, ficar na grama para sentir o mundo girar; fazer brincadeiras consideradas idiotas, brincar com as crianças como se fosse a própria.

Tomar coragem, apreciar a vontade, ligar para alguém, somente pra dizer que sente saudade, que sente falta, que sente tanta coisa que nunca saberia dizer, que sente algo que não entende o que sente, no entanto, sente.

Talvez eu nunca saiba o que deveria ter feito nessa vida, mas, sei que o tempo não espera pra gente fazer o que tem vontade, não espera pra definir o que a gente sente. O tempo apenas passa.

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Elas

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Existem madrugadas em que tudo poderia ficar diferente com uma delas por perto. Logo elas, que sacodem a vida, que colocam o dedo na ferida com toda a força, no entanto, já ajudam no machucado. Elas que entendem dos primeiros socorros, que no momento exato aparecem na condição de terapeuta a saber tudo, até o que ainda não sei, afinal, todo o tempo compartilhado nos serviu para descobrir o que pensamos e o que aperta nosso peito além do sutiã com numeração errada.    

Assim, vem o desejo de uma terça-feira sem trabalho, sem reuniões, sem cobranças, sem relógio para calcular o tempo de cada compromisso. Vem um desejo por aquelas tardes com chuvas e brigadeiro de panela. As manhãs de pijamas e camisolas sem precisar ser domingo.  

Quando os dias parecem injustos, parecem sem proteção, são elas que fazem falta, elas com a bússola na mão, com um porto seguro, em Porto Seguro, num vilarejo, na praia do espelho, seja qual for o lugar. Elas sabem desenhar um arco-íris nos dias cinzas, Elas fazem com que esses dias amargos, possam ter a beleza das redondas jabuticabas. 

São elas que se fazem presentes mesmo quando não podem estar por perto, elas me acalmam, que confiam totalmente na minha existência, que não possuem dúvidas no meu olhar. Nada precisa ser provado, somos mais que irmãs, somos mais que uma família, somos amigas, somos guerra de travesseiros, mochilas na costas, acalento para choro de filho, abraço com lágrimas nos olhos, somos o que não se esquece jamais.  

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Não repare a bagunça

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Se você quiser entra, por favor, não repare a bagunça.

Não repare a bagunça da minha cara lavada

Do meu batom e o traço do lápis preto

Essa bagunça das unhas ruídas com ou sem esmaltes.

Cuidado ao passar para não tropeçar

Essa bagunça que faço com os pensamentos,

Com essas palavras e tolas convicções.

O resto de mim que fica no caminho

O Meu jeito de falar e andar

A minha bolsa sempre com algo inseparável

Meus horários

Minhas crias

Essa mistura de cores e de flores

Essa bagunça de gostos

Essa bagunça que sinto quando não quero querer você.

Essa bagunça que faço ao passar do tempo

Mas, pode entrar, sentar, descasar

Fica a vontade, fica com vontade

Pode entrar, não repare a bagunça

Apesar das desarrumações

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Eu Posso. Nós podemos

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Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?” Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?…Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo”.

(Nelson Mandela/ Discurso de posse, em 1994)

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