Já não dói tanto

15Já não dói tanto, não é que passou, nada disso, doeu muito para acreditar que poderia passar. Doeu muito, perdi o ar, perdi a crença, foi um despedaçar de palavras, de tentativas, construções e erosões. Já não dói tanto, mesmo não entendendo certas coisas e tantas pessoas, no entanto, não dói tanto devido as quedas constantes, as respostas do tempo, no  equilíbrio encontrei a razão e entendi que até a dor percebe quando já maltratou demais.

As dores sabem o limite a percorrer, sabem quando não existe medo para o confronto, então, são provocações de um estado de limite, de um estado do desejo de não sentir o que o corpo, o que a vida sente. Sendo assim, depois de ter ferido e não ter vencido, já não se prolonga, já não dói tanto.

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Pedacinhos de uma música…

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“E o que eu te dei
Foi muito pouco ou quase nada
E o que eu deixei?
Algumas roupas penduradas…”

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“Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava…”


Codinome Beija-Flor / Cazuza

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Esse jeito Cazuza de ser que prolonga o amor mesmo quando ele muda, mesmo quando é recusado, mesmo quando não se tem o mesmo efeito para duas pessoas, esse jeito Cazuza, esse jeito que me atropela. Sempre acredito que é Amor mesmo quando não pode ser, sempre acredito que é amor mesmo quando não dar mais para ser, é Amor com nome de beija-flor, é amor com nome de saudade, é amor com placa de  desvio de estrada, com sinalização vermelha. Seja como for, por isso,  que não pode ser desperdiçado, embrulhado, por isso, deve ser cuidado para continuar a ser o que tem sido, doce. Tudo acontece no seu tempo.   

Codinome Beija-Flor/ Cazuza

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor


Sem remédio

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Aquele grito preso na garganta algo a dizer que não consegue ser dito, um choro que não se esconde que transborda as margens. A única vontade é de arrancar tudo do peito, jogar longe para não mais encontrar ou mesmo se permitir a sentir tudo isso de novo.

Talvez arrancado o coração, emudecendo de vez, extraindo os olhos, secando a pele, esmagando o cérebro que encontrou razão onde nem sequer existe, talvez impossibilitando tudo que provoca dentro de mim o que sinto, posso conseguir que passe essa lembrança, esse querer. E se mesmo assim, não passar, persistir. Se eu ainda o encontrar em tudo que vejo, talvez seja o momento de me entregar ao tempo, me entregar ao esquecimento, deixar que tudo perca os sentidos, e possa esvair-se fatalmente.

Dizem que para esse amor não existe remédio.

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A delicadeza da força

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Necessito que a minha força, essa que chamam de força interior seja bem maior, que me faça refazer o ciclo, que me faça montar o quebra-cabeça, para que eu persista na caminhada. E se houver o mal das forças contraditórias que se afaste, porque acredito em tudo que for do bem, acredito no poder do sorriso que esmera felicidade.

Eu sei o que preciso nesses momentos. A minha força tocada com delicadeza, assim, meu coração deverá ser tocado, para que eu não perca de acreditar nas coisas boas, ternas que me envolveu nas noites frias e nas insuportáveis temperaturas que derreterão minhas vontades. Pode passar devagar sua mão em minha face, tranquilize meus batimentos cardíacos e afague minha alma.

Veja o que tenho guardado no peito… Tenho um arco-íris.

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Por todos os meus dias

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Pensei em te dizer, antes que o destino reparta o tempo, eu não sei se foi o meu jeito, ou tenha sido o seu, pensando bem acho que foi mesmo o meu jeito de ver as coisas, ao te ver fiquei encantada, no entanto, jamais pensei, naquele momento, que você cresceria em mim de forma incontrolável, que brotaria tantas flores, que me alegraria tanto, sendo assim, germinasse meu caminho de um jeito que todas as vezes que houvesse a tentativa de me afastar você renascesse de novo. 

E você que era uma semente, conseguiu sem complicação, do jeito que eu gosto de ver e sentir, do jeito simples, existir em mim por todos os meus dias. Ah… Com você desejei as coisas mais simples, como desejo de me manter no que considero bonito nessa vida.  

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Depois do Depois

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Depois do tudo e do nada.

Depois de querer muito.

Depois das dores.

Depois das decepções.

Depois de cada queda e dissabores.

Essa ausência de tudo que denominamos algo que precisamos,

A falta de algo, como se sempre fosse faltar.

E aos poucos até o sentimento de falta faz uma longa viajem,

Assim, não se sente ausência de nada,

Não se deseja mais nada,

Sem ter o que perder ou manter

A vida apenas recomeça.  

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