Sede

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Há algo estranho dentro de mim

Uma dor no peito

Um enjoo

Vômito preso na garganta

Essa agonia

E no meio de tudo

Essa delicadeza tão forte

A minha vida está morrendo de saudade

A minha alma está morrendo de sede

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Apenas Um Caminho

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Eu jurei que não iria morrer

Eu jurei que continuaria viva

Eu jurei que iria te ver

E não importa

Se nada faça valer o meu dia

Não importa as caras das pessoas

Não importa as estradas

Nem mesmo os carros que fazem retas sem fim

Eu vou sorrir

De forma boba e tímida

As ruas desaparecerão longe de mim

E quando eu encontrar um caminho

Apenas um caminho

Eu vou te encontrar

Sem ser tarde

Sem ser cedo

Eu jurei que ira te ver

Eu jurei que continuaria viva

Eu jurei que não iria morrer

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Não acaba

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Presente

Passado

Tudo passageiro

Menos você

Lembranças

Recordações

Esse agora

O amanhecer

O entardecer

O anoitecer

Um sorriso

Jeito de nuvem

Uma emoção bonita

Um espanto, um canto, um encanto

É você que chega

Repousa

Descansa

E fica

Mesmo quando não está aqui

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Não é mágoa é lucidez

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Expresso meus pensamentos, minhas buscas. Dizem que se as palavras valem prata o silêncio vale ouro. Eu nunca desejei vender meu silêncio, gosto da grandiosidade de poder enxergar, sentir e seja o que for, poder me expressar. Essa decência de olhar e poder ser honesta com o que penso, posso até mudar de opinião, mas o incômodo não fica guardado.

Não quero ficar arrumando mil desculpas nem mesmo justificativas para não assumir uma verdade sequer. Não aprendi a viver levando as coisas a banho-maria, aguentando enquanto a poeira fica baixa.  Quero viver de verdade. Pra valer. Isso não tem nada haver com emoções incabíveis, não quero dar volta ao mundo de balão ou aprender a deslizai na maior onda, nem mesmo uma pequena, não sei nadar. Não é isso. Como não quero fazer algo jamais pensado por ninguém nesse pequeno planeta.

Quero ver a verdade no que as pessoas me dizem. Sei que muita coisa muda ao longo do tempo, porém, honestidade com o que fazemos da vida, seja no trabalho, com pessoas que consideramos amigas, com os bons e generosos amores, com nossas tentativas, nossas desilusões, erros e quedas, é preciso respirar e vivermos.

Encarar o mundo em volta, falar o que for preciso, se despedir daquelas belas e velhas amizades que por motivos tão previsíveis não eram tão belas.

Afinal, qualquer pessoa pode desarrumar nossas vidas, qualquer pessoa pode fazer uma tarde ensolarada virar uma tarde escura e sem brilho, no entanto, existem outras que jamais deveriam cometer tais maldades e por um receio qualquer, por comodidade ou conforto, fechamos os olhos.

Não quero viver uma grande mentira. Prefiro sair, pela porta da frente, com dignidade, sem a sombra do silêncio reconfortante Em qualquer situação se eu precisar calar para existir, para sobreviver num grupo, bem, ainda não sei fazer isso já que sou apaixonada pelos mérito dos fortes. Mesmo sabendo que dói muito.

Entre tanto engano e incoerência, posso acreditar que o maior dos enganos e de todas as incoerência é saber quem mais me faz hoje sofrer, essa história é repetida, são pessoas que desenhei seus nomes no livro das belas amizades.

Não entendo como alguém pode jogar confiança, dedicação e carinho num lixão. Não entendo como existe tanta desconfiança, falta de gentileza. Talvez como já me disseram algumas pessoas acham que ser amiga é saber ser. Esquecem que amizade se vive de verdade com a intenção mais linda do mundo, aquela ingênua e redentora, a intenção de ser pra sempre.  

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Sem Aspas

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Muitas vezes insistimos em acreditar em pessoas que jamais estarão ao nosso lado, sempre terão uma desculpa para não se fazerem presentes, são pessoas ocupadas, pessoas que têm medos, são frágeis ou inseguras demais, são preocupadas com o trabalho ou talvez consigo mesmo, são as chamadas pessoas ausentes. Muitas vezes   esperam da gente tanta coisa, mas não sabem olhar no nosso olho e sorrir, não sabem dividir choro, abraço, esperança e aquela boa confiança quase infantil, podem até mesmo viverem perto, porém, tão longe. E quando estão distantes, bem, é porque estão distantes.

Há momentos que não precisamos entender as posições políticas, concepções de vidas, discutir sobre livros, artigos, flores ad estação ou qualquer coisa parecida. Há momentos que só precisamos de alguém que esteja ao lado, e se por um motivo inquestionável não puder, esse alguém deve entender que ausências precisam de aproximação.

Aquela pessoa que dedique um tempo pra gente, que saiba que a vida é efêmera, numa divisão de tempo desleal para alguns, sendo assim, precisamos muitas vezes precisamos de alguém que não queira nos deixar. Alguém que deixe outras pessoas, trabalho, idas ao banco, reuniões para poder ficar ao lado.

Alguém que mesmo sem entender porque a maldita febre não passa, ou mesmo sem saber o que fazer, faz alguma coisa, talvez a melhor de todas, aquela certeza de que tudo vai passar e que tudo vai ficar bem.

Alguém que segure a nossa mão. que digam ESTOU AQUI, exatamente assim, sem aspas.

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Rosa de Hiroshima – Vinicius de Moraes

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A Rosa de Hiroshima – Vinicius de Moraes
(Rio de Janeiro , 1954)
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
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Milagre

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Quando alguém toca em nosso ombro e sentimos algo nascer por dentro? Quando enxergamos asas crescendo em nossas costas com um simples toque? Quando sabemos que a partir desse momento o milagre aconteceu? Mesmo quando sabemos que não voaremos juntos, o toque existiu para surgimentos das asas, para a proteção da vida. O milagre aconteceu, assim, quando respirarmos saberemos que o amor sempre há de está exatamente no mesmo lugar.

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